O tamanho dos sistemas fotovoltaicos residenciais

Muitos sistemas fotovoltaicos instalados nos nossos edifícios cobrem apenas uma pequena parte do consumo elétrico desses mesmos edifícios. Mas essa não é a abordagem correta.

É possível – e pode não ser difícil ou especialmente caro - dimensionar os sistemas para cobrir a totalidade do consumo elétrico, sobretudo a nível de novas construções.

A capacidade dos sistemas fotovoltaicos e o tipo de painéis

Uma área de 30 m2 de painéis fotovoltaicos pode em princípio produzir entre 3.000 e 3.500 KWh/ano de eletricidade.

Algo que é suficiente para cobrir as necessidades médias das habitações brasileiras e portuguesas, estimadas respetivamente em 1.820 kWh/ano (embora atingindo o dobro ou mais em muitas zonas do Brasil, em certas alturas do ano) e em 3.700 kWh/ano (dados do Labeee e da Adene).

Claro está, os valores referidos acima - a nível da área de painéis e do seu output elétrico - são essencialmente valores de referência e aproximações grosseiras à realidade. O output elétrico de um painel varia significativamente, em função de diversos fatores, referidos a seguir. Há que tê-lo em conta.

Área e output dos painéis fotovoltaicos

O output de um sistema fotovoltaico depende da área dos painéis solares, mas também...

- do tipo de painel (monocristalino, policristalino…),
- dos níveis de insolação do lugar;
- de pormenores ligados à instalação ou a faixas de sombra.

Tipo de painéis

Os painéis monocristalinos têm um output ligeiramente superior aos painéis policristalinos (e sensivelmente mais do que os sistemas de película fina); em si mesmo isso não é relevante, já que pode ser compensado por uma maior área de painel, mas há que tê-lo em conta.

Ver: Tipos de tecnologias solares

Níveis de insolação

Naturalmente, os níveis de insolação diária afetam imenso a produção de eletricidade dos painéis; é algo que se associa estreitamente à latitude do lugar mas não só.

Em alguns lugares mais favoráveis os níveis de insolação média diária podem chegar às 8 ou às 9 horas ou mais (em certas zonas do Brasil), mas em geral a média é mais baixa (6-7 horas em Portugal). Ver mapa com níveis de insolação brasileira e mapa com os níveis de insolação portuguesa.

Pormenores de instalação e sombra

Faixas de sombra sobre certas partes dos painéis em algumas horas do dia, podem reduzir significativamente o output elétrico dos painéis.

Mas pormenores como o ângulo de inclinação dos painéis, a direção e localização dos mesmos a nível dos telhados ou perdas associadas aos transformadores e aos cabos (em parte ligadas à distância entre os painéis e os pontos de uso da eletricidade) podem também reduzir o output elétrico.

Ver: Questões de sombra e ângulos na instalação de painéis solares

Questões de eficiência energética

Mas há outro fator que indiretamente é tão ou mais poderoso que os anteriores, a nível da determinação da área de painéis: a eficiência energética dos edifícios.

A orientação solar do edifício, a sua configuração, o seu tamanho e layout; o tamanho e o tipo de vidro e de esquadrias/caixilharia das janelas; os níveis de isolamento térmico dos tetos, paredes e pisos; o tipo e as características do sistema de iluminação; a eficiência do equipamento do edifício (frigoríficos, computadores, eletrodomésticos…), todos estes fatores afetam poderosamente os níveis de consumo elétrico, e quando adequadamente considerados podem viabilizar sistemas fotovoltaicos muito mais pequenos. Ver: Como preencher 100% das necessidades elétricas com um pequeno sistema fotovoltaico.

Infelizmente, muitas moradias e outros edifícios, são extremamente ineficientes energeticamente, o que faz disparar os consumos elétricos e pode tornar a instalação de sistemas fotovoltaicos demasiado cara. Estes só fazem sentido em edifícios com níveis razoáveis ou elevados de eficiência energética.

 

 

 

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