Escolher as janelas adequadas; COEFICIENTES ENERGÉTICOS E QUESTÕES CLIMÁTICAS

O facto de uma janela ser de vidro duplo ou triplo – algo que começa a ser norma – não significa muito. É melhor que as antigas janelas de vidro simples, mas há que ter em conta as características térmicas do vidro, o tipo de esquadria/caixilharia e outros pormenores ligados à construção da janela (e à casa).

Coeficientes energéticos usados na avaliação de janelas

Normalmente, as janelas podem ser avaliadas por via de quatro coeficientes:

- O fator-U (medida das perdas potenciais de calor através das janelas); quando menor for o factor U, ou seja, quanto mais ele se aproximar do valor 0.2, menor será a perda de calor através da janela. O valor deste coeficiente é muito importante em climas frios, mas também em climas temperados com invernos frios. Um baixo fator-U garante que as perdas de ar quente pelas janelas serão minimizadas.

- O fator G (Coeficiente de Ganhos de Calor Solar; Solar Heat Gains Coefficient: SHGC); este coeficiente mede os ganhos de calor solar. Quanto mais baixo for o valor deste fator (próximo de 0.3), maior será a capacidade da janela em reduzir ganhos de calor solar – o que é particularmente importante em climas quentes e em janelas onde se quer reduzir ao máximo os ganhos de calor.

- O fator V (Transmissão de Luz Visível; Visual Transmittance; VT); este coeficiente é uma medida da luminosidade transmitida pelas janelas. Dependendo do tamanho das janelas e do modo como elas estão orientadas para o sol, pode interessa um maior ou menor fator V.

- O fator L (Infiltração de ar; Air Leakage); este coeficiente mede o grau de infiltração de ar através da janela, algo que é importante para contrariar fenómenos como a formação de condensação nos vidros das janelas (em climas frios) e pequenas infiltrações e correntes de ar; quanto menor (próximo de 0.2 ou menos), melhor.

Escolha de janelas tendo em conta os seus coeficientes Técnicos

É importante analisar com cuidado os coeficientes energéticos e técnicos das janelas, nomeadamente o fator G e U. Mesmo que elas não tenham etiqueta energética, é normalmente possível analisar os coeficientes referidos acima, nas especificações técnicas das janelas.

Não se esqueça: o seu conforto e as suas faturas energéticas, e o impacto das suas janelas no ambiente, depende muito de uma escolha criteriosa, que obviamente terá que ter em conta os coeficientes acima.

Sul do Brasil e Portugal (Climas temperados com invernos frios)

Escolha janelas com um fator-U baixo ou relativamente baixo, e um fator G moderado (ou médio-alto nas paredes viradas ao sol de inverno, sempre que os ganhos de calor solar forem importantes); será no entanto necessário proteger essas janelas do calor do Verão, por via de palas, toldos, brises, persianas exteriores ou outros meios.

Climas brasileiros sem necessidades significativas de aquecimento

Escolhas janelas com um muito baixo fator G (abaixo dos 0.3). Isso é conseguido com janelas usando vidros espectralmente seletivos, capazes de reduzir os ganhos de calor solar a um mínimo. É o caso de janelas com vidro Low-E e vidro tingido.

Fator V & fator L

Considere também janelas com um baixo fator V (transmissão de luz), de modo a controlar excesso de radiação luminosa, nomeadamente em janelas a Este e a Oeste.

Um fator L (infiltração de ar) baixo também é vantajoso, mas isso está normalmente refletido no fator U e G.

Outros elementos a ter em conta

Não se esqueça de que as janelas não se avaliam apenas pelo seu tipo de vidro, e pelas características energéticas desse mesmo vidro. Há outros fatores – envolvendo a qualidade de fabrico da janela como um todo, e os materiais de que são feitas as esquadrias/caixilhos, e o isolamento dessas mesmas estruturas, que são igualmente fulcrais. Janelas com esquadrias/caixilharia de aço e alumínio são por norma uma muito má opção a nível térmico e energético.

 

 

 

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