EDIFICIOS DE ENERGIA ZERO: o CONCEITO, a directiva da UE, AS VANTAGENS E OS CUSTOS DE IMPLEMENTAÇÃO

A Directiva 2010/31/UE, no seu artigo 9º, estipula que todos os Estados-membros da União Europeia devem assegurar, a partir de 31 de Dezembro de 2020, que todos os novos edifícios sejam do tipo «Energia-Zero»; essa data é antecipada para 31 de Dezembro de 2018 no que respeita aos novos edifícios públicos.

Nota: este sistema pode ser interessante para o Brasil, onde também se impõe um modelo que regule a eficiência energética dos edifícios, de modo a evitar a implosão do atual sistema ou que ele se oriente num sentido economica e ambientalmente irracional. O que a seguir se expõe, em função da realidade portuguesa no quadro da UE, é no essencial aplicável ao Brasil.

Edifícios energia zeroO Conceito Edifícios Energia Zero

Este novo conceito obriga a que as novas habitações, escolas e outros edifícios estejam equipados com energia solar ou outras formas de energia renovável, e que em termos globais os edifícios sejam capazes de assegurar um montante de energia (designadamente eletricidade) equivalente ao seu consumo energético.

Os sistemas eléctricos dos novos edifícios poderão descarregar/vender nas redes elétricas nacionais a eletricidade em excesso nos períodos em que o consumo de energia do edifício seja inferior ao que ele está a produzir e, obviamente, receber/comprar energia nos períodos em que acontecer o contrário. Mas o que cada edifício receber da rede deve ser compensado por produção de energia renovável própria.

Mesmo que a implementação da Directiva referida acima venha a ser modulada no seu conteúdo ou adiada nos seus prazos de implementação, há que ter em conta o que ela representa, e os caminhos futuros para que ela aponta.

Há no entanto uma questão chave, que urge abordar: será que este conceito de edifícios é, na prática, exequível sem aumento significativo de custos de construção?

edifícios energia zero

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Exequibilidade e implementação

O conceito de Edifício Energia Zero exige edifícios eficientes energéticamente. Não se trata simplesmente de adicionar painéis fotovoltaicos ao edifício, ou outra forma de energia renovável.

Primeiro há que reduzir o consumo elétrico para níveis o mais baixo possível através de um mix de altos níveis de isolamento térmico em todo o envelope do edifício, janelas altamente eficientes, portas exteriores igualmente eficientes (sempre que em contacto com o espaço interior), bem como bom design arquitetónico, bom posicionamento do edifício em relação ao sol, sombras a brisas, adequado dimensionamento das janelas, espaços, etc. E obviamente um sistema eficiente de iluminação e equipamentos eletrónicos (eletrodomésticos e produtos da eletrónica, no caso de casas de habitação).

Sem estas medidas os custos dos sistemas de energia renovável serão sempre demasiado altos. É fundamental preparar previamente o edifício. Ou seja: não basta instalar alguns painéis solares em edifícios convencionalmente construídos para se obter Edifícios Energia Zero.

Custos e Ganhos

A nível dos grandes edifícios públicos ou das instalações das grandes empresas é mais fácil concretizar o conceito de Edifícios de Energia Zero a preços competitivos, sobretudo se se tiver em conta as poupanças energéticas que esses edifícios proporcionam e as reduções de custos que são possíveis pela massificação da instalação dos novos sistemas energéticos.

É certo que algumas medidas de eficiência energética não têm custos (correcta orientação dos edifícios em relação ao sol, ou às brisas, por exemplo), mas há determinados melhoramentos térmicos - níveis superiores de isolamento, janelas e portas altamente eficientes – que vão tornar os custos de construção mais elevados.

Isto, para já não falar dos custos do sistema solar fotovoltaico ou de outro sistema de energia renovável. Os custos dos painéis fotovoltaicos estão hoje a menos de metade de há alguns anos atrás, e espera-se que essa tendência continue, mas eles serão sempre um custo que não existe na construção tradicional.

Podem haver alguns reduções de custos (a nível dos sistemas de aquecimento e de ar condicionado, por via dos sistemas de isolamento térmico e de janelas eficientes), podem haver reduções de custos por via da construção de edifícios mais pequenos (sacrificando a dimensão em função da qualidade) mas – comparativamente a edifícios de baixa qualidade – são inevitáveis aumentos nos custos de construção.

Por outro lado, haverá poupanças energéticas e faturas energéticas mais baixas. A médio e longo prazo existirão ganhos líquidos.

Mas no imediato os custos de construção aumentarão, o que vai certamente alimentar muita discussão, objeções ou resistências.

Economias de escala e financiamento

Ou seja: o conceito é excelente e deve ser aplicado

Ele abre imensas oportunidades de negócio, pode revigorizar as nossas economias, é uma peça chave em termos de solução dos nossos problemas ambientais e energéticos, e uma forma de garantir melhores níveis de conforto e baixas ou nulas faturas energéticas.

Mas é bom estar-se atento às dificuldades e aos custos iniciais.

Sem uma adequada política que agilize a instalação e o financiamento em modo leasing das componentes de energia renovável ou mesmo de algumas componentes de eficiência energética, a  implementação deste tipo de edifícios pode vir a ser posta en causa, e adiada ou sabotada pela prática de construção...

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