Governos locais, cidades e Edifícios Energia Zero

Nas próximas décadas todos os edifícios deverão passar a ser Energia Zero (EEZ). Os grandes projetos de Edifícios Energia Zero agendados pela União Europeia, Califórnia e Japão para a próxima década são um prenúncio disso mesmo.

Os edifícios consomem cerca de 40% da energia mundial, e são por isso – direta ou indiretamente – os maiores emissores de CO2 e os maiores responsáveis pelas mudanças climáticas. Daí a necessidade urgente de Edifícios Energia Zero – algo que vai revelar uma tarefa enorme para os governos e instituições locais.

E uma pergunta se põe: como é que as entidades e os governos locais se podem empenhar em tais projetos, face aos cenários de orçamentos e recursos limitados?

Políticas locais associadas a Edifícios Energia Zero

Há várias iniciativas, em vários países, ilustrando o empenhamento de várias cidades e governos locais em questões energéticas, e mesmo em projetos de Edifícios Energia Zero. A questão não se resume a questões financeiras.

Nem todas as medidas associadas à construção e renovação de edifícios (tornando-os edifícios de baixo consumo energético) ou às energias renováveis são necessariamente dispendiosas financeiramente. Eis alguns exemplos de atividades e ações que podem ter custos baixos, acessíveis a muitos governos locais:

- intervenções em matéria de códigos de construção e de planeamento urbanístico (incluindo adequada exposição solar dos edifícios….);
- incentivos aos materiais a utilizar nos Edifícios Energia Zero (janelas supereficientes, por exemplo) e proibições e descriminações positivas visando desencorajar o uso de materiais energeticamente ineficientes (janelas de alumínio com envidraçados inadequados, por exemplo).
- ações de sensibilização e formação, envolvendo os residentes e as comunidades locais em geral, e os arquitetos, projetistas, construtores e outros profissionais associados ao setor da construção.
- apoio e promoção de associações envolvendo grandes intervenientes no processo de construção e de produção elétrica: bancos, fornecedores de eletricidade, empresas de leasing solar, empresas ligadas a janelas e portas exteriores altamente eficientes, fornecedores de materiais para isolamento térmico e outras.
- identificação dos setores – escolas, hospitais, grandes edifícios, novas zonas de construção ou de remodelação – a que se pretenda aplicar os padrões Edifícios Energia Zero.
- encorajamento e apoio a fontes locais de energia renovável - algumas das quais poderão interligar-se aos Edifícios Energia Zero (haverá casos de edifícios e zonas em que é mais vantajosa a existência de meios partilhados de produção energética renovável do que a implementação de sistemas individuais).

Obviamente, sem programas mais vastos, de âmbito nacional (ou transnacional, no caso da União Europeia), a implementação das medidas acima pode torna-se mais difícil. Mas não propriamente impossíveis de realizar.

Obtenção do apoio dos residentes e modelos de financiamento

O sucesso dos projetos de Edifícios Energia Zero – nomeadamente a nível da renovação dos edifícios existentes, e da sua conversão em edifícios de baixo consumo energético - depende bastante da escala dos mesmos. Projetos individuais são tipicamente muito mais caros e por isso, bastante mais difíceis de implementar.

Por outro lado, envolver grupos ou comunidades de residentes e proprietários de edifícios é normalmente uma tarefa difícil.

No caso de projetos de renovação urbanística pode, por exemplo, ser de toda a vantagem a substituição de sistemas individuais de climatização por sistemas coletivos, o que é difícil sem o empenhamento ativo das instituições locais e sem meios adequados de financiamento dos melhoramentos.

O financiamento dos projetos é extramente importante. A explicação e sensibilização dos residentes em termos de vantagens proporcionadas pelo projeto é crucial, mas sem modelos adequados de financiamento, tudo se tornará muito difícil.

Ver: Modelos de financiamento dos Edifícios Energia Zero

Sistemas pré-fabricados e normalizados

As autoridades locais poderão facilitar os licenciamentos, ou garantir condições logísticas que reduzam os custos de implantação de sistemas solares e outros sistemas de geração elétrica renovável; ou poderão, por via das suas ação de sensibilização, criar os agentes promotores da construção de Edifícios Energia Zero.

Mas é também necessário assegurar baixos custos, a nível das partes e elementos que compõem os Edifícios Energia Zero: janelas supereficientes; módulos de isolamento térmico pré-fabricados (para renovar o envelope dos edifícios, nomeadamente paredes e tetos..); sistemas estandardizados de instalação de sistemas solares fotovoltaicos, etc.

A consciência deste facto levou as instituições comunitárias europeias a apoiar várias iniciativas de empresas que se propuseram fornecer materiais desse tipo. Damos, a seguir, alguns exemplos:

iNSPiRe - sistemas pré-fabricados para remodelação de edifícios existentes, de modo a aproximá-los dos padrões EEZ
RetroKit (SINTEF) - idem.
MEEFS - idem (fachadas de edifícios)
Bricker - sistemas associados a renovação de edifícios públicos; Objetivo: redução de consumos energéticos em pelo menos 50%.

Instituições e projetos associados a EEZ, Com ligações a Entidades locais

Listamos a seguir algumas entidades – sobretudo europeias – associadas a iniciativas locais ou de apoio aos governos locais, no âmbito de Edifícios Energia Zero ou de melhorias energéticas em edifícios.

EnergyCities - associação europeia de cidades e entidades locais comprometidas com projetos energéticos para edifícios: representa mais de 1.000 cidades de 30 países. .
Covenant of Mayors, Seap Plus and Net-Com - movimento europeu envolvendo entidades locais e regionais empenhadas em aumentar a eficiência energética e o uso de fontes renováveis de energia.
3ENCULT - renovação de edifícios históricos, de modo a torná-los mais eficientes energeticamente.
DIRECTION - projeto de demonstração de inovações e de tecnologias para novos edifícios de baixo consumo energético.
Episcope – apoio a projetos de renovação energética de edifícios existentes.
New Buildings Institute, Europa
Energy Design Resources

 

O maior projeto energético e de construção: edifícios energia zero

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Para dezenas de outros recursos ilustrados, ver lista.

 

 

 

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