Programas e iniciativas que as cidades podem desenvolver a nível da Área energÉtica

Os responsáveis pelas nossas cidades e municípios estão normalmente assoberbados por questões imediatas e prementes, e dispõem de pouco tempo e fracos meios financeiros para desenvolver ações na área das energias renováveis e da eficiência energética dos edifícios.

Mas esse afastamento das cidades das questões energéticas ligadas aos seus edifícios e aos seus sistemas de transportes é um erro tremendo, com enormes consequências ambientais.

Há que não esquecer que as cidades, e nomeadamente os seus edifícios, são os grandes consumidores de energia e de produção de CO2 e gases de estufa, algo que temos que inverter nas próximas décadas, através da construção em massa de edifícios de baixo consumo energético, capazes de serem também fontes de eletricidade solar fotovoltaica.

Há que não esquecer as implicações estratégicas que os novos desenhos de produção de eletricidade e os edifícios de baixo consumo energético têm sobre o nosso futuro e o futuro das nossas cidades (e os negócios de muitos milhões que estão presentes na produção solar e na eficiência energética dos edifícios, e o papel que as cidades terão inevitavelmente que ter nessas áreas).

Mesmo que os responsáveis locais não tenham meios significativos para apoiar ativa e financeiramente a transição das suas cidades para formas de energia limpa, há muito que pode ser feito e que não requer investimentos financeiros significativos.

Eis alguns exemplos.

Legislação

Os municípios brasileiros tem competências em matéria de eficiência energética de edifícios e de promoção da energia que eles não estão a aproveitar.

Do mesmo modo, não existem a nível português, uma verdadeira preparação para implementação da Diretiva 2010/31/UE, envolvendo edifícios energia zero.

Mas sem normas adequadas, por si só, o mercado e os seus agentes – proprietários de imóveis, construtores, arquitetos – não promoverão a introdução da solar ou de outras energia renováveis em grau significativo, nem haverão alterações significativas na eficiência energética dos atuais ou dos novos edifícios.

Ver: Falhas de mercado ou... eles não pagam as faturas energéticas nem os custos ambientais.

Organizações internacionais e as nossas cidades

Cidades como Curitiba e Rio de Janeiro receberam prémios internacionais (C-40 Cities Sustainable Communities Awards), pelas suas políticas em áreas envolvendo os nossos edifícios, ou em áreas conexas.

Lisboa está numa situação razoável no European Green City Index, em matéria de edifícios e energia.

São exemplos meritórios. Mas em geral as nossas cidades não estão bem posicionadas ou sequer representadas em organismos internacionais onde a questão da sustentabilidade e da energia nas nossas cidades é discutida (caso dos C40 cities).

E não há, no caso português, um bom aproveitamento das possibilidades postas à disposição das cidades pelo FEDER, a nível da área da energia consumida e produzida nos nossos edifícios.

Auditoria energética dos edifícios

A cidade de Austin, nos EUA, é mundialmente conhecida pelo sistema de auditoria energética que implementou a nível dos seus edifícios, um sistema que classificou – em termos ambientais e de consumo energético – centenas de milhares de edifícios.

É importante que as cidades brasileiras e portuguesas também tenham programas de auditoria energética envolvendo quer os seus próprios edifícios e os edifícios públicos, quer edifícios que funcionem como amostras de situações típicas; é algo essencial de modo a se fundamentarem estratégias e projetos de poupança energética, ou as futuras redes locais de produção elétrica solar para edifícios e para as futuras redes elétricas de transportes urbanos.

Ver: City Green Building and Home Improvement Programs

Planeamento urbano e ações urbanísticas focados na energia

É sabido quão complicado é mexer nos planos de urbanização existentes, e como isso contraria expetativas e situações herdadas.

Mas é importante corrigir muita coisa.

É importante que o planeamento urbanístico promova a construção de novos edifícios convenientemente orientados em relação ao sol ou às brisas, e a construção de edifícios convenientemente dimensionados, e com janelas, varandas e outras características arquitetónicas capazes de gerar baixos consumos energéticos.

Ver estes infográficos:
A localização e orientação dos edifícios
Aposte numa casa confortável, não numa casa grande

Edifícios públicos e o caso de Londres

As grandes cidades associam a si dezenas ou centenas de edifícios públicos – administrativos, escolares, hospitalares e outros  – que podem assumir-se como exemplos para as comunidades que servem, a nível da área do consumo energético (e eventualmente da produção de energia limpa).

Só um exemplo: o programa RE:FIT, implementado pela cidade de Londres, envolvendo diversas parcerias e o financiamento de projetos de eficiência energética em edifícios tão diversos quanto o são os edifícios públicos e estruturas como o Royal Botanic Garden.

Ver:
Cidades, informação, público e arquitetos
Cidades, parcerias e projetos

 

 

 

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